Eu preocupo-me.
O dinheiro que não chega para o café; o [finalmente] terminar de um curso que de 4 passou para 3 anos - a meio de um percurso de 5 anos; o namorado imaginário que não sabe o que quer; o irmão que tanto sofre; o sistema que só piora as coisas; a mãe desempregada; a avó que precisa de próteses nos joelhos mas não faz a operação porque há a possibilidade de correr mal e ficar em cadeira de rodas para o resto da vida e - como única produtora de income (em ingles, o dinheiro que vem para casa, mas logo sai para pagar as contas e as dívidas); não a faz, com medo; o curso que não dá garantias nenhumas de trabalho; o mercado de trabalho que está mau mesmo para aquilo a que se chama de não-qualificado (e a escravatura inerente - e aqui, outra vez, o sistema que.. não sei... digamos que não quero aprofundar muito sobre ele senão dá em merda)... e, no meio disto tudo... os amigos que deixei para trás e agora sinto falta; as oportunidades que perdi, desperdicei ou simplesmente nem vi acontecerem mesmo na pontinha do meu nariz arredondado!!...
Auto-comiseração? sim, pois claro! Mimada? Talvez... Mas que porra, também tenho direito, não?
Li uma vez a um autor cubano que, quando em Cuba vivia num regime onde não se podia queixar... quando foi para os estados unidos as coisas também não eram perfeitas, ou sequer perto disso, mas ao menos podia, e cito: ladrar.
Ão, ão, ão!!! Bem ALTO!!!
